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Protocolo de exercícios melhora saúde geral de idosos

Publicado: Quarta, 23 Setembro 2020 09:39 , Última Atualização: Sexta, 25 Setembro 2020 09:39

Doutorando em Educação Física pela Universidade de Pernambuco (UPE), Bruno Remígio Cavalcante é bacharel e mestre em Educação Física pela mesma instituição. Em sua trajetória acadêmica tem se dedicado a desenvolver e colaborar com pesquisas sobre o papel preventivo e terapêutico da atividade física na saúde cardiovascular, física e cognitiva de idosos.

Fale um pouco sobre sua pesquisa
A ideia do meu projeto de doutorado surgiu da curiosidade de entender os efeitos da musculação para o cérebro de pessoas idosas. Para isso, investigamos o impacto de três meses de um programa de musculação utilizando superfícies e equipamentos instáveis, como bolas suíças e discos de equilíbrio, nas funções cognitivas de idosos com queixas de perda de memória e atenção. Sessenta e sete participantes, com idades entre 65 e 71 anos, foram distribuídos em três grupos experimentais.
Quais foram os resultados?
Os programas de musculação promoveram ganhos clinicamente relevantes em diversos aspectos funcionais, como capacidade de caminhada, testes de agilidade e equilíbrio e força de pernas. Os resultados positivos na cognição e funcionalidade dos idosos contribuem para maior autonomia, bem-estar, qualidade de vida e até mesmo longevidade. O trabalho sugere que a musculação tradicional e o modelo alternativo, com instabilidade, promoveram efeitos positivos na saúde física desses idosos. A musculação com instabilidade promoveu mais ganhos cognitivos globais e de memória quando comparado à modalidade tradicional.

Quais contribuições a sua pesquisa traz para a área?
Nosso trabalho tem contribuição valiosa para a área da Educação Física, pois fornece informações sobre e efetividade da prescrição do treinamento de força com instabilidade – um modelo de exercício alternativo ao tradicional – para idosos com comprometimento cognitivo.

A pesquisa teve cooperação internacional?
Esse projeto permitiu uma cooperação acadêmica e científica com a Dra. Mariana Ferreira de Souza, especialista em treinamento de força para idosos, com a Universidade Federal do Vale do São Francisco (Univasf) e entre dois pesquisadores canadenses, o Dr. David Behm, especialista em exercícios com instabilidade, da Memorial University, e a Dra. Teresa Liu-Ambrose, especialista em exercício e cognição, da University of British Columbia. Essa aproximação permitiu a realização de um estágio no Laboratório da Dra. Teresa, em Vancouver, onde obtive treinamento de projetos multicêntricos, revisões sistemáticas de literatura e aprimoramento de técnicas estatísticas e escrita do artigo principal da tese, o que culminou na aprovação do estudo no Journal of Alzheimer's Disease (https://content.iospress.com/articles/journal-of-alzheimers-disease/jad200349?resultNumber=1&totalResults=869&start=0&q=rei+study&resultsPageSize=10&rows=10)

Qual a importância da CAPES no desenvolvimento do seu projeto?
Sou grato pelas bolsas concedida pela CAPES durante minha trajetória, em especial agora no doutorado, o que tem me permitido dedicação integral ao projeto de pesquisa. Fico feliz por poder retribuir para a sociedade um pouco desse investimento destinado ao longo desses anos por meio de pesquisa de qualidade com relevância científica e social.

Qual a aplicabilidade da pesquisa?
Nosso trabalho tem alta aplicabilidade na prática de profissionais da Educação Física, pois proporcionam uma alternativa de prescrição de exercícios com complexidade motora aumentada visando melhorar a saúde física e cognitiva de pessoas mais velhas.

Qual a importância do seu trabalho para a sociedade?
O comprometimento cognitivo é um fator de risco estabelecido para quadros de demência como a Doença de Alzheimer. Essa condição de saúde promove efeitos degenerativos em múltiplos sistemas fisiológicos, o que impacta a saúde não só do paciente, mas também da família e de cuidadores. Atualmente, infelizmente, não existe cura para o Alzheimer, nem mesmo tratamentos eficazes para retardar a progressão da doença. Dessa forma, o melhor tratamento é a prevenção. Nesse contexto, a prática regular de atividades físicas é considerada um elemento primordial para aumentar a resiliência cognitiva e minimizar o risco de declínio cognitivo em cerca de 38%. Portanto, nosso trabalho apresenta relevância social e econômica para atenuar a carga de doença atribuída ao comprometimento cognitivo.

O que a pesquisa apresenta de diferente daquilo que já é visto na literatura?
Nós exploramos um modelo alternativo de prescrição de exercícios de musculação, por meio do aumento da complexidade motora utilizando dispositivos e equipamentos facilmente disponíveis em academias e centros de reabilitação.

Quais os próximos passos?
O próximo passo envolve a realização de um estudo clínico para avaliar o impacto da musculação com instabilidade na prevenção de quedas em idosos com comprometimento cognitivo.

(Brasília – Redação CCS/CAPES)
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